terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Aprendizado Agrícola de Garanhuns

Rosilda Cavalcanti

O Aprendizado Agrícola Samuel Hardman  situava-se na região onde hoje encontram-se as ruínas do Prédio do Instituto Bom Pastor.

Fundado pelo Sindicato Agrícola e Pastoril  de Garanhuns  em 15 de maio de 1911 no sítio denominado Mulungu a três kilometros da cidade, seu nome  homenageava Samuel Hardman, o secretário de agricultura do governo do Estado.

De acordo com o relatório do Governador Manoel Borba, ocupava uma área de 76 hectares sendo os terrenos secos e fracos o que de algum modo favorecia o ensino, pois seu cultivo exigia trabalhos especiais. Havia no terreno muitas árvores frutíferas e uma vasta plantação de eucaliptos.
O  prédio construído para tal finalidade tinha acomodações para 25 alunos internos, salas para aula, refeitório, cozinha e compartimentos destinados à moradia do diretor.

A escola tinha o objetivo de formar trabalhadores aptos para os diversos serviços da propriedade rural de acordo com as modernas práticas agronômicas da época.
O regime de aprendizado era o de internato com frequencia obrigatória às aulas, exercícios e trabalhos práticos.
A escola era mantida pelo sindicato e subvencionado pelo governo do Estado. Seu primeiro diretor foi o agronomo italiano Alfonso Notaro. Cultivava-se feijão, milho, legumes, batatas alemães, flores e trigo etc.

O Aprendizado funcionou durante cerca de dez anos tendo sido inativado por falta de condições do sindicato de sustentar o empreendimento e os terrenos foram cedidos ao governo do Estado. Contribuiu para isso o fato de que alguns dos seus idealizadores,  Sátiro Ivo, Argemiro Miranda, Júlio Brasileiro foram assassinados no episódio conhecido como  Hecatombe de Garanhuns.

O relatório do Governo do Estado em 1924, informa que  o Departamento do Trabalho e Imigração dividiu a propriedade e três sítios foram cedidos a  duas famílias de imigrantes romenos e uma família russa. .

Em 1928,  o governo do   Estado  construiu novos prédios e reconstruiu os antigos edifícios do aprendizado agrícola para que ali fosse instalada a Colônia Correcional de menores.

A partir  do relatório do Governador Estácio Coimbra, podemos ter uma idéia da arquitetura dos prédios onde foi instalada a Colônia Correcional, e onde também funcionou mais tarde, o Patronato Agrícola e posteriormente o Instituto Bom Pastor:

No novo edifício,  no pavimento térreo, estavam as salas de aula para instrução primária, sala de espera, secretaria e gabinete do diretor.
No pavimento superior, grandes salões para dormitórios das classes maior e menor, tendo ao centro um quarto do vigilante e três gabinetes sanitários.
O edifício reconstruído comunicava-se com o novo por três corredores cobertos. Comportava um grande salão de refeições, cozinha, despensa, alojamento dos cozinheiros e mais quatro dependencias para serventes e ajudantes de cozinheiro. Num dos extremos deste edifício ficava a enfermaria, comportava dezoito leitos com gabinete médico e dentista e um  gabinete sanitário com entradas independentes.
No outro extremo foram construídos seis gabinetes sanitários, seis banheiros e três pias. Em um pequeno edificio novo, instalou-se o motor elétrico. Num plano superior ao edifício, o reservatório de abastecimento de água, e noutro plano inferior um grande tanque de captação de água,  tendo junto um pequeno edifício onde foi colocada a bomba de elevação de água para os tanques reservatórios a 70 metros de altura.
"Dispõe  a Colônia Correcional de Garanhuns de uma grande área de terreno próprio ao cultivo agrícola, com água potável permanente. A sua topografia é acidentada, formada de chapadões, taboleiros, encostas e várzeas, e a sua cobertura de capoeiras finas e alguns capoeirões onde se encontra madeira para combuustível. Abandonado ha alguns anos depois de extinto o aprendizado agrícola ali instalado, lá se encontram um parque de eucaliptos e dois pequenos cafezais"



No dia 18 de Outubro de 1929 foi inaugurado o prédio da escola correcional. Cento e quarenta e nove menores que estavam internados provisoriamente na casa de detenção de Recife, foram transferidos para Garanhuns. Os menores, eram em sua maioria meninos abandonados que viviam perambulando pelas ruas; havia também os que estavam lá por que  os pais não dispunham de recursos para alimentá-los. Outros , os pais os consideravam indisciplinados demais e os punham na escola correcional, para segundo eles, "tomarem jeito de gente".


Ruínas do Prédio do Instituto Profissional Bom Pastor

Os funcionários nomeados para a Colonia foram os seguintes: 
Diretor:João Liberato Pereira de Melo;
Agrônomo: Plínio Alves de Araújo;
Médico: Pedro Augusto Carneiro Leão;
Dentista: Osório Pinto da Silva Souto;
Almoxarife: Ormindo Pires Ferreira;
Monitores: Pedro Alcides Figueiredo Lima e José Correia Rezende;
Auxiliar: Amara Acioli Santiago Ramos;
Mecânico: José Duarte Gitirana;
Mestres de Cultura: José de Albuquerque Cavalcanti e Manoel Paes da Silva Souto;
Cozinheiro: João Felix do Amaral;
Serventes: Luiz Gonzaga de Figueredo Lima, Manoel Francisco de Brito e José Francisco Nascimento.

 A partir de Janeiro de 1931, início da era Vargas,  a escola correcional passou a denominar-se Patronato Agrícola de Garanhuns, ficando sob a jurisdição da Secretaria da Fazenda.

BIBLIOGRAFIA: Relatório dos Presidentes dos Estados Brasileiros- 1890 a 1930- Pernambuco(Estado)-Estácio de Albuquerque- 03 de abril de 1930;
Relatório dos Presidentes dos Estados Brasileiros- 1890 a 1930- Pernambuco: Manuel Antonio Pereira Borba-Governador do Estado- 06.03.1919;
Relatório dos Presidentes dos Estados Brasileiros- 1890 a 1930- Pernambuco(Estado)-Sergio T. Lins de B. Loreto- Governador do Estado em 1925;
Jornal A Noite, sexta feira, 02 de janeiro de 1931;
BEZERRA, Gregório. Memórias- primeira parte- Rio de Janeiro- Civilização brasileira, 1979.

4 comentários:

  1. Olá, muito bom o seu blog. Rico em informações, fotos e descrições. Tenho feito algumas pesquisas sobre o colégio agrícola do Buriti, criado pela South Brazil Mission em Cuiabá. O Colégio fechou em 2003, mas há planos de reabri-lo. Agradeço sugestões.

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  2. Boa Tarde. Meu nome é Ronnei Prado, sou pesquisador do NEAB (Núcleo de Estudos Afro Brasileiros) do Centro de Educação da UFPE e estou pesquisando sobre a memória de um ex-combatente que estudou durante a infância e adolescência no Aprendizado Agrícola de Garanhuns. Se a senhora professora pudesse me ajudar com mais informações seria de grande ajuda. Primeiro se ainda tem documentos referentes aos estudantes que ficaram nesse internato ou se foram mandados para algum local específico. Também se há imagens que possa pesquisar sobre os mesmos.

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    1. Ronnei, tudo que sei sobre o colégio agrícola está na bibliografia citada. Eu me interessei por este tema por que mais tarde esta escola se tornou uma escola de meninas e eu estudei lá. Em algum lugar do meu pc, há uma foto da banda desta escola, mas não cita os nomes dos meninos. Em Garanhuns há Instituto Histórico, pode ser que lá haja alguma informação. O link do Instituto no face é:https://www.facebook.com/institutogaranhuns.ihgg?fref=ts boa sorte, companheiro. Se eu puder ajudar em mais alguma coisa: rosildacavalcanti@hotmail.com

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    2. Muito obrigado. Vou continuar pesquisando. Ainda procuro o histórico dos estudantes que estiveram nesse Instituto. Achei na hemeroteca digital brasileira algumas referências sobre o Instituto e Samuel Hardman.
      Volto a agradecer a ajuda.

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